Aviação | Navegantes testa falcão robotizado
 
Equipamento serve para espantar pássaros e evitar os acidentes aéreos
 
Por: Dagmara Spautz
 
 
Ave mecanizada foi testada com sucesso
 

A superintendência do Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, em Navegantes, terminou ontem uma série de testes com um falcão robotizado. A réplica da ave, direcionada por controle remoto, tem a função de espantar pássaros que colocam em risco as operações de pouso e decolagem. Esta foi a primeira vez que o falcão robô foi usado no Sul do Brasil.

Normalmente, o trabalho de afastar as aves das imediações de aeroportos é feito com predadores treinados, de carne e osso, como gaviões. Colocá-los na função, entretanto, requer licenças ambientais, que podem demorar até seis meses para ser expedidas.

A opção pela ave robô em Navegantes foi em função da urgência: de janeiro a abril deste ano foram registradas 25 colisões com aves no aeroporto. Em todo o ano de 2010 foram 28. Os acidentes envolveram quero-queros, corujas, marrecas e gaviões.

O biólogo Gustavo Trainini explica que as aves se aproximam dos aeroportos porque encontram um espaço gramado, que atrai pequenas presas, e vigilância constante, o que evita a caça:

– Os números de Navegantes inspiram cuidados, especialmente pela posição geográfica do aeroporto, que fica próximo ao rio e ao mar, ambientes em que as aves proliferam e que exigem monitoramento constante.

Técnico da empresa Hayabusa, responsável pelo trabalho com o falcão robô, Trainini passou 60 dias estudando o comportamento das aves do entorno do aeroporto antes de começar os testes, que duraram 10 dias.

O biólogo conta que o robô, produzido em parceria entre universidades da Espanha e da Itália, imita a silhueta de um pássaro grande, o que afasta as aves menores. Depois de alguns dias, elas aprendem que há um predador no local e se afastam.

Aves ameaçam segurança de pousos e decolagens

Os resultados, de acordo com Trainini, foram positivos. A superintendência do aeroporto vai aguardar, agora, um relatório do biólogo, para saber se haverá necessidade de repetir a atividade.

Também será feito um monitoramento, para acompanhar a possível volta das aves.

A colisão de pássaros com aeronaves representa riscos na aviação.

– O pouso e a decolagem são as fases mais perigosas de um voo, e é justo quando a aeronave entra na rota dos pássaros. Com a baixa altitude e a velocidade, qualquer obstáculo pode comprometer a segurança – diz o piloto de aviões e helicópteros Luís Antônio Ribeiro Latorre, que trabalha numa empresa de táxi aéreo.

Conforme Latorre, no caso dos aviões, o pássaro pode ser sugado para dentro de uma das turbinas e provocar estragos na estrutura. O comandante precisa desligar o equipamento e voar com só uma das turbinas. No caso dos helicópteros, as aves podem atingir as hélices e desestabilizar a aeronave.

:: Como espantar as aves

FALCÃO ROBÔ TRABALHO COM ANIMAIS
   

Funciona como um avião de controle remoto. O equipamento é programado para alcançar até três quilômetros de altura, mas os técnicos costumam não passar dos 500 metros. Os voos são inspirados nas emboscadas feitas pelos falcões peregrinos, que mergulham no ar para atacar as presas. Tem a vantagem de voar a qualquer temperatura e condição do tempo, mesmo com chuva.

São usadas três espécies diferentes no Brasil: o falcãoperegrino, o gavião de coleira e o gavião asa de telha, esses últimos com um tipo de caça um pouco diferente, em que a presa é perseguida. As aves são treinadas para somente espantar outros pássaros. Se abocanham outro animal, o levam para o treinador e ganham em troca um pedaço de carne. O pássaro capturado recebe uma anilha e é solto em outro local, longe do aeroporto.

   
Custo: R$ 15 mil (preço do teste em Navegantes) Custo: R$ 22 mil (preço para um teste como o feito em Navegantes)

 

dagmara.spautz@santa.com.br
DAGMARA SPAUTZ | Navegantes

 
Fonte: Diário Catarinense
 
 
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